Na Força do Guerreiro
- Instituto Mãe Balbina
- 20 de jul.
- 3 min de leitura
Por Mãe Gardênia d´Iansã
A 3ª Feijoada de São Jorge, realizada pelo Instituto Mãe Balbina celebrou fé, cultura afro-indígena-brasileira com resistência, música, compartilhando e ancestralidade viva.

A 3ª Feijoada de São Jorge nasceu do seu compromisso com a ancestralidade e força espiritual que carregamos no coração. O evento é mais que uma celebração, é um chamado de fé, partilha e acolhimento. Para nós, abrirmos os portões do Instituto e receber o povo com alegria, respeito e igualdade é um gesto de amor coletivo. Ao ver o sucesso do evento, nos sentimos renovados, com a alma em festa e a certeza de que a missão foi cumprida com axé.
Evento: 3ª FEIJOADA DE SÃO JORGE
Dia: 26/04/2025
Horário: 17:00/11:59
Local: Rua Carvalho Junior, 669 – evento realizado na via pública
Público: 500 pessoas no formato presencial; mais de 10 mil no formato digital
Texto: Filho de Pemba
Imagens: Acervo Instituto Sociocultural Mãe Balbina
A 3ª Feijoada de São Jorge, realizada pelo Instituto Mãe Balbina, sob a coordenação firme de Mãe Gardênia d´Iansã, consolidou-se como um dos eventos simbólicos da cultura tradicional de matriz afro-indígena-brasileira no Ceará. Combinando espiritualidade, culinária e arte, a celebração honrou São Jorge e fortaleceu os laços entre os diversos povos de terreiro e a comunidade.
O evento, que faz parte do calendário cultural do Instituto, vai além da devoção ao santo guerreiro: representa resistência, acolhimento e afirmação da ancestralidade. A feijoada é símbolo de união, preparada com cuidado coletivo, e servida como gesto de partilha. Ao redor da mesa e do tambor, os participantes reafirmam sua identidade e sua fé, sem abrir mão da alegria e da força espiritual.
A importância da festa, também se revela nas parcerias e nos vínculos criados. Mãe Gardênia, como articuladora sociocultural e religiosa, tem conduzido o Instituto Mãe Balbina com dedicação e propósito. A Feijoada de São Jorge é exemplo claro disso: envolve centenas de pessoas, fortalece o território de cultura e espiritualidade e eleva o protagonismo dos povos de terreiro, colocando a fé e a tradição em lugar de destaque.
A programação da 3ª Feijoada de São Jorge foi realizada no dia 26 de abril, com início às 17 horas, com a missa campal. O show cultural abriu com o grupo Os Filhos de Zé. Às 19h, a feijoada foi servida, momento de grande partilha. Em seguida, o coletivo Afirma Curimbeiro com Ogan João emocionou o público. A noite seguiu com Mestre Luan de Ayrá e as cantoras Raruzza e Karol da Farrapo. Encerrando com chave de ouro, o cantor cearense Naldo Freitas levou o público à vibração total.
Certamente, a 3ª Feijoada de São Jorge foi mais que um evento: foi expressão de fé, cultura e resistência. Em um tempo onde o respeito às tradições é tão necessário, celebrar São Jorge nos terreiros é um gesto político, democrático e espiritual. O Instituto Mãe Balbina segue como referência de força, promoção e organização, fazendo da ancestralidade um caminho de futuro e dignidade.
Em O terreiro e a cidade, Muniz Sodré (1988)[1], explica que o sincretismo religioso funcionou como estratégia de resistência dos negros escravizados. A associação entre São Jorge e Ogum permitiu a preservação dos cultos africanos sob a aparência católica. O terreiro, como espaço simbólico, tornou-se lugar de continuidade espiritual e identidade negra, garantindo que a fé em Ogum sobrevivesse à repressão colonial.
[1] SODRÉ, Muniz. O terreiro e a cidade: a forma social negro-brasileira. Petrópolis: Vozes, 1988. p. 58-59.






































































































Comentários